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PISA X Educação Financeira

O Estadão publicou, na última sexta-feira (06.12..2019), uma análise sobre “o tamanho da tragédia do Brasil no Pisa”. Uma constatação importante enunciada no podcast foi a de que “nossa educação ainda é muito deficiente e estamos entre os piores do mundo”. O PISA não tem como objetivo apenas a verificação do conteúdo aprendido, mas também diversas outras competências, habilidades e pensamentos estratégicos dos alunxs nos países.

 

Em 2019, a China foi a primeira colocada nos três rankings: leitura, matemática e ciências. O Brasil, apesar de não ter ficado em último na avaliação geral, ficou em último em matemática e tem o mesmo desempenho desde os anos 2000. Um ponto positivo de ressalva é que o Brasil incluiu muitos jovens que não estavam no sistema educacional, o que poderia gerar uma diminuição da nota geral. Porém, isso não aconteceu, o que poderia até mascarar um melhor desempenho do Brasil.

Ainda assim, há um problema central: quatro em cada dez adolescentes não conseguem identificar a ideia principal de um texto, ler gráficos, resolver problemas com números inteiros ou entender um experimento científico simples. Só que esse cenário é desigual entre escolas spúblicas e particulares: há uma diferença de 60 posições nas escolas de elite brasileiras caso fossem consideradas um “país”, ficando em 5º lugar no mundo, melhores inclusive que Estônia e Finlândia. Há uma bolha extremamente qualificada que destoa absurdamente das escolas particulares não consideradas de elite (que ficariam em 11ª posição) e as escolas públicas (65ª posição). 

 

O círculo vicioso que impera no Brasil se alimenta da baixa escolaridade, especialmente de camadas sociais mais pobres e grupos marginalizados, muitas vezes predominantemente negros. Isso fica evidenciado no baixo resultado em matemática, por exemplo. Com isso, esse adolescente e jovem adulto proveniente de escola pública tem/vai ter baixa empregabilidade, pois para um mercado competitivo, é mão de obra desqualificada. Em razão disso, sua renda per capita será baixa, aumentando a desigualdade de renda.

Quais os horizontes para melhoria desse cenário? Atualmente, o governo está tentando implantar escolas cívico-militares, o que, segundo diversos especialistas educacionais, não é uma política pública em qualquer aspecto. É mais uma vez favorecer o topo, pois quem vai para estas escolas são os melhores alunos, cujas 54 escolas tem pequena representação do total de 150 mil do país. Todos os países que tiveram melhora nos indicadores investiram nos níveis socioeconômicos mais baixos. Ou seja, o investimento por meio de políticas públicas deve ser na base e não no topo.

O empréstimo, que antes era utilizado para resolver o problema, acabou gerando um efeito perverso nas famílias, dado que não sabem/sabiam gerir esse dinheiro (em razão da baixa escolaridade, vide Pisa). Aumentou-se o endividamento e a crise brasileira de 2015 majorou ainda mais a desigualdade.

Para atacar, então, o cerne desse problema (educação deficitária em escolas públicas para adolescentes e jovens) há dois pontos principais: educação financeira e microcrédito. Para aumentar a qualificação dos jovens assim que saírem da escola pública e faculdade é preciso investir no conhecimento matemático para que se aumente a educação financeira, investimentos, aumente a qualificação profissional, diminua a inadimplência. Ou seja, é preciso educar os jovens brasileiros de escolas públicas os ensinamentos matemáticos básicos, inclusive aqueles relativos a educação financeira, pois isso tem, como consequência trágica, a manutenção de um ciclo de desigualdade social e exclusão de mão de obra produtiva, gerando estagnação no PIB e diminuição da renda per capita nacional.

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