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Até que idade iremos viver?

Até que idade iremos viver? Se Pandora não tivesse fechado no último instante a caixa que Zeus havia enviado, todos saberíamos essa resposta. Em consequência, também não haveria mais razões para as pessoas continuarem a estudar, trabalhar, especializar, contribuir para a aposentadoria, pois saberíamos de antemão se iríamos viver muito ou pouco. Porém, como é impossível saber, mas ao menos imaginar, temos que pensar maneiras prever isso, especialmente para nosso futuro e também da nossa família.

Este é o momento oportuno para apresentar o conceito do Ciclo da Vida Financeira:

Para que possamos chegar aos 65 anos para usufruir da aposentadoria com tranquilidade é preciso que, até lá, construamos um patrimônio consistente com aquilo que desejamos. Uma das alternativas é contar com o sistema da previdência social (INSS), contribuindo de 8 a 11% ao mês e ter uma aposentadoria de aproximadamente um salário mínimo.

Contudo, qual a chance de vivermos até os sessentas anos? Segundo o anuário estatístico da previdência social, existe um crescimento de pagamento de benefícios para a faixa etária dos noventa anos. Ou seja, tomando como base a expectativa de 80 anos para as mulheres e 73 para homens do IBGE, seu planejamento para uma aposentadoria tranquila teria falhado.

O grande problema é que os recursos são limitados e os gastos com a previdência cada vez são maiores. O investimento baixo inviabiliza poupança interna, gerando empobrecimento da população. Isso gera a dependência da reforma da previdência dado que não têm dinheiro para aposentadoria. Depender de um sistema que hoje pode estar funcionando, mas amanhã não, pode arruinar suas chances de uma aposentadoria tranquila. Por isso, a solução para este problema é a educação financeira.

Como falamos acima, há duas alternativas para ter recursos para uma aposentadoria. A primeira é a contribuição para a Previdência Social. A segunda é poupar. Mas, para isso, é preciso fazer desde cedo e, mais ainda, educar nossos adolescentes e jovens sobre os benefícios dessa participação.

A poupança interna é um grande indicador para investimentos internos e externos líquidos. Porém, no Brasil, há uma dificuldade em aumentar esse percentual. Segundo Relatório de 2018 do Fundo Monetário Internacional (FMI), somente 8% dos brasileiros conseguiram poupar para investir. Esse número representa 14,6% do Produto Interno Bruto (PIB). Na América do Sul, o desempenho do Brasil só fica atrás da Venezuela (13,1%), cuja crise faz um o preço de um ovo ser igual 93,3 milhões de litros de gasolina. O país que lidera o ranking é o Equador, com 24,7%, seguido pelo Paraguai, com 22,6%. Do outro lado do mundo, a China tem 44,6%.

A regularidade dos investimentos por parte da população Brasileira depende do crescimento econômico, pois desta forma as famílias terão renda disponível para investimento.Mesmo assim, em 2019, a Bolsa de Valores de São Paulo registrou 1 milhão de registros ativos, recorde histórico, mas ainda muito aquém do potencial brasileiro.

Diz-se isso, pois 80% desses investidores, ou seja, 5,6% do total de brasileiros, optaram pela caderneta de poupança. Foi o que revelou uma pesquisa da Anbina com 3452 entrevistas em todo o Brasil. A grande questão é: porque essas pessoas preferiram um retorno que acumulou, ano passado, 4,55% ao ano ante 18% da Bolsa de Valores?

Acredito que o principal fator que induz esse comportamento conservador é a falta de educação financeira. Quando utilizo este termo, não me refiro ao modelo autônomo, bastando ensinar conceitos básicos sobre juros compostos, inflação, indicadores e diferentes tipos de investimentos. Isso é apenas serve para dividir indivíduos entre alfabetizados e analfabetizados financeiros. Para uma educação financeira de longo prazo e de maior impacto, deve-se adotar o modelo situado, ensinando iniciativas para melhorar a qualidade de vida, não apenas difundindo conhecimentos de conceitos, mas combatendo características psicológicas prejudiciais para o comportamento financeiro, tais como a procrastinação, aversão à perda e ao arrependimento, contabilidade mental, viés pro-status quo e a sobrecarga de informação (De Meza, 2008)

Por isso, os dados sinalizam o quanto o mercado financeiro ainda está distante do dia a dia do brasileiro. E isso acontece por dois motivos: falta de educação financeira e uma dificuldade real em conseguir guardar dinheiro em meio a uma crise econômica persistente.

Segundo Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes Brasil da B3, “a volatilidade (do mercado) existe, mas é um momento único e diferente: quem vem para a bolsa é mais jovem, perto dos 35 anos, e está em geral mais informado e melhor assessorado, com uma renda disponível maior para assumir mais riscos. Ainda assim, é fato que o ineditismo do movimento deixa a dúvida de qual será a sua longevidade – e os riscos mapeados não são poucos. “Esse tipo de investidor tem uma tendência cíclica: a bolsa sobe, ele se anima e entra; se cai, ele é sensível à perda de patrimônio e sai”

Portanto, a grande variável desta equação está no aprendizado de uma boa educação financeira. Ainda que o Brasil esteja em crise prolongada, uma pequena porção (da limitada fatia) de investidores utiliza a Bolsa de Valores. A superação do medo só se realiza com informação. O aumento da poupança interna está diretamente associado à educação financeira. Para conseguirmos resolver os problemas que Pandora não liberou da caixa temos que educar financeiramente adolescentes e jovens para que participem de forma mais ativa do mercado financeiro e não dependam da Previdência Social como única alternativa possível para sua aposentadoria.

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